Entrevista ao CEO da Sonae Sierra, Álvaro Portela

P - Como é que analisa o ano de 2006 para a Sonae Sierra?

Álvaro Portela - O ano 2006 foi muito bom para a Sonae Sierra. Apesar de se ter vivido uma situação difícil na generalidade do sector do comércio nos países onde operamos, a verdade é que a Sonae Sierra alcançou resultados que superaram as nossas expectativas, com crescimentos de  23% nos resultados líquidos,  20% no EBITDA e de  18% no NAV dos nossos centros comerciais e de lazer, valores que consideramos excelentes.

A equipa de colaboradores da Sonae Sierra está pois de parabéns, pois do seu esforço e profissionalismo resultou uma valorização importante dos activos da Empresa, seja dos novos  centros  comerciais  e  de  lazer  entretanto  inaugurados,  seja  daqueles  que  já integravam o nosso portfólio.

Em síntese, direi que o ano de 2006 nos permitiu avançar com confiança no sentido da concretização do nosso objectivo de tornar a Sonae Sierra uma Empresa com  €  2 mil milhões de NAV.

P - Verifica-se que a Sonae Sierra continuou a privilegiar a constituição de parcerias na sua estratégia de crescimento...

R  -  É  verdade.  Um  dos  objectivos  centrais  ao  longo  de  2006  foi  o  reforço  da  nossa capacidade financeira através da constituição de parcerias com entidades prestigiadas e capazes  de  acrescentarem  mais-valias  relevantes  ao  desenvolvimento  estratégico  da Empresa.

Recordo que, logo no início do ano, o nosso parceiro Grosvenor adquiriu mais 17,04% do capital da Empresa, ficando a deter os mesmos 50% do que a Sonae SGPS. Esta situação não só reforçou a posição da Sonae Sierra no mercado, mas reflecte, segundo creio, o respeito  e  confiança  existentes  entre  os  dois  parceiros,  para  além  de  traduzir  o empenhamento total dos nossos dois accionistas no crescimento da Empresa.

Relevante foi também a parceria estabelecida com a Developers Diversified Realty para a nossa operação no Brasil, da qual resultou desde logo o compromisso de em conjunto investirmos R$ 600 milhões no reforço da actividade da Sonae Sierra Brazil nos próximos três  anos.  Sendo  o  novo  parceiro  um  dos  maiores  e  mais  prestigiados  operadores  do mercado norte-americano de centros comerciais e de lazer, penso que estão criadas as condições para um crescimento acelerado da nossa actividade no mercado brasileiro e para lutarmos pela liderança desta indústria também no Brasil.

P - Quais foram os investimentos mais importantes realizados ao longo de 2006?

R  -  Os dois mais importante foram na Grécia, na sequência da vitória no competitivo concurso para a concessão da utilização do Galatsi Olympic Hall nos próximos 40 anos, e na Alemanha, onde garantimos a aquisição do centro comercial Munster Arkaden.

A adaptação do pavilhão olímpico em Atenas num centro comercial e de lazer representa um investimento de € 69 milhões, a realizar em parceria com a Acrópole Charagionis, e dará lugar ao segundo centro comercial e de lazer desenvolvido pela Sonae Sierra na Grécia, depois do sucesso do Mediterranean Cosmos, em Salónica.

Na Alemanha, para além da já referida aquisição do centro comercial e de lazer Munster Arkaden, uma unidade de grande qualidade, importa recordar que adquirimos também um terreno com excelente localização em Weiterstadt, perto de Frankfurt, onde já teve início a construção de um novo centro comercial regional, isto para além de avançarem a bom ritmo o projecto Alexa, em Berlin.

P - Que outros aspectos salienta no desempenho da Sonae Sierra em 2006?

P  - Permito-me sublinhar, com natural orgulho, o facto de a nossa actividade, a nossa criatividade e o nosso profissionalismo continuarem a merecer a distinção do mercado e de entidades credíveis, as quais voltaram a atribuir-nos, em  2006, um valioso conjunto de prémios.

Refiro, a título de exemplo, que a Sonae Sierra foi considera a melhor empresa portuguesa a operar no mercado espanhol, distinção atribuída pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, ou que o nosso centro comercial e de lazer "Luz del Tajo", em Toledo, foi considerado o melhor de Espanha pela Associação Espanhola de Centros Comerciais.

Muito relevante  foi  ainda  o  Prémio  ECO 2006  na  categoria  Responsabilidade  Social Empresarial atribuído no Brasil ao nosso Programa Personae, que visa dotar a Sonae Sierra com as mais exigentes práticas ao nível da segurança, saúde e responsabilidade social, prémio este entregue pela Câmara de Comércio Americana no decorrer de uma cerimónia realizada em São Paulo e que contou com a presença do ex-Vice-Presidente dos EUA, Al Gore.

P - A estratégia de expansão internacional da Sonae Sierra está confinada aos países onde já marca presença, ou prevê a abertura a novos mercados?

R  - Dissemos sempre que a nossa estratégia de expansão passa por consolidar a nossa posição  nos  mercados  onde  marcamos  presença,  procurando  alcançar  uma  posição  de liderança nos mesmos, mas sem descurar a possibilidade de entrar em novos mercados quando surgirem oportunidades interessantes.

Esta  estratégia  mantém-se  válida  e  importa  sublinhar  que  temos,  neste  momento,  14 novos centros comerciais e de lazer em diferentes fases de desenvolvimento nos nossos diversos mercados, o que desde logo nos assegura no curto-médio prazo, um significativo crescimento do nosso portfólio.

Estamos actualmente a operar em Portugal, Espanha, Itália, Alemanha, Grécia e Brasil, mas estamos atentos às novas oportunidades que se abrem, nomeadamente na Europa Central. De qualquer forma, o nosso processo de estudo e avaliação de novos mercados é muito exigente e, embora estejamos interessados em aumentar o nosso âmbito geográfico, só avançamos depois de termos concluído que as circunstâncias são favoráveis para nós e para os nossos investidores.

P- Quais são os objectivos da Sonae Sierra a longo prazo?

R -   A Sonae Sierra ambiciona ser uma das empresas líder do sector de centros comerciais e de lazer. Temos uma estratégia de investimento com uma perspectiva de longo prazo e pretendemos estar numa das três primeiras posições do ranking em todos os mercados onde já marcamos presença.

Mas  sabemos  que  só  atingiremos  esses  objectivos  no  futuro  se  formos  capazes  de consolidar os nossos negócios no presente. Acredito que se continuarmos a desenvolver o nosso  "know-how",  mantendo  elevados  níveis  de  inovação  e  profissionalismo  em  tudo aquilo que fazemos, alcançaremos todos os nossos objectivos.